
Análise do mercado de IA em Portugal, as empresas que estão a contratar e as competências mais procuradas.
Se te perguntares "será que a Inteligência Artificial é relevante para Portugal?", a resposta é um retumbante sim. Mas não precisas de acreditar na nossa palavra - basta olhares à tua volta. Quando o teu banco bloqueia uma compra suspeita no cartão, é IA portuguesa (Feedzai) a proteger-te. Quando uma empresa traduz um email para 30 línguas, é IA portuguesa (Unbabel). Portugal não é apenas consumidor de IA - é criador. E em 2026, as oportunidades para quem quer entrar nesta área são maiores do que nunca. Neste artigo, vamos mostrar-te o panorama completo: que empresas estão a contratar, quanto pagam, que competências procuram e como te posicionares.
Antes de falarmos do mercado, vamos garantir que todos estão na mesma página. A melhor forma de perceber a IA é compará-la com a eletricidade no início do século XX. Quando a eletricidade apareceu, as pessoas não sabiam bem para que servia. Depois começou a alimentar fábricas, iluminar cidades, permitir a rádio e a televisão. Hoje não imaginas viver sem ela. A IA está exatamente nessa fase de transformação: está a entrar em todas as indústrias - saúde, finanças, educação, comércio, agricultura - e em breve será tão invisível e essencial como a eletricidade.
Em termos simples, IA é a capacidade de um computador fazer coisas que normalmente exigiriam inteligência humana: reconhecer rostos, entender linguagem, tomar decisões, prever tendências. Não é um robô com consciência (isso é ficção científica). É software inteligente que aprende com dados - e Portugal tem empresas de classe mundial a criar esse software.
Se o ecossistema de IA mundial fosse uma liga de futebol, Portugal não estaria na Premier League (EUA, China), mas seria um forte candidato à Liga dos Campeões europeia. Temos jogadores de classe mundial (empresas como Feedzai e Talkdesk), um bom centro de formação (universidades como IST, FEUP, FCT) e um estádio cada vez mais atrativo para investidores (Web Summit, incentivos fiscais, qualidade de vida).
Portugal tem vindo a afirmar-se como um hub tecnológico europeu, com Lisboa e Porto a atrair talento e investimento internacional. Eis alguns dos "campeões" nacionais:
Feedzai (Lisboa) - Deteção de fraude bancária com IA. Protege transações de mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo. Um dos "unicórnios" portugueses (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares). Se o teu banco alguma vez bloqueou uma compra suspeita automaticamente, pode ter sido a Feedzai nos bastidores.
OutSystems (Lisboa) - Plataforma low-code com IA que permite criar aplicações empresariais sem programação tradicional. Usada por grandes empresas como a Toyota e a Schneider Electric.
Talkdesk (Lisboa) - Contact centers inteligentes com IA. Quando ligas para o suporte de uma grande empresa e um sistema automático percebe o que queres antes de te passar a um operador humano, pode ser tecnologia Talkdesk.
Unbabel (Lisboa) - Tradução automática com IA que combina modelos de linguagem com revisores humanos para qualidade profissional. Imagina um tradutor que nunca dorme e fala 30 línguas.
Sword Health (Porto) - Fisioterapia digital com IA. Usa sensores e visão computacional para guiar pacientes em exercícios de reabilitação em casa, como ter um fisioterapeuta virtual disponível 24 horas.
O Web Summit, sediado em Lisboa desde 2016, colocou Portugal no mapa da inovação tecnológica mundial. Em 2026, o país conta com mais de 2.500 startups tecnológicas, muitas delas focadas em IA, e o investimento em venture capital no setor tecnológico ultrapassou os 2 mil milhões de euros.
A IA é como uma autoestrada do futuro. As empresas são os carros que circulam nela, mas alguém tem de construir a estrada, colocar sinais e garantir que há estações de serviço. Esse é o papel do governo. E o governo português tem investido fortemente nesta "infraestrutura de IA" através de várias iniciativas:
Portugal Digital: É o grande plano nacional para a transformação digital. Imagina um investimento de 4,3 mil milhões de euros (do PRR - Plano de Recuperação e Resiliência europeu) para modernizar Portugal digitalmente. Isto inclui desde a digitalização de serviços públicos (para não precisares de ir à repartição de Finanças) até ao apoio a empresas que querem adotar IA.
INCoDe.2030: A Iniciativa Nacional em Competências Digitais. O objetivo é claro: garantir que os portugueses têm as competências digitais necessárias para o mercado de trabalho do futuro. Inclui programas de requalificação profissional - por exemplo, se trabalhas em contabilidade e queres transitar para data science, existem programas apoiados pelo Estado para te ajudar nessa mudança.
AI Portugal 2030: A estratégia nacional especificamente para IA, com três eixos: (1) educação e formação (mais cursos em universidades e centros de formação), (2) investigação e inovação (apoio a projetos de investigação em IA) e (3) adoção por empresas e administração pública (ajudar empresas a implementar IA nos seus processos). Prevê a criação de centros de excelência em IA em universidades portuguesas.
EU AI Act: O Regulamento Europeu para a IA, em vigor desde 2025, está a criar novas oportunidades em Portugal para profissionais de compliance, ética em IA e auditoria de sistemas de IA. As empresas portuguesas precisam urgentemente de especialistas que compreendam este regulamento e saibam implementá-lo.
O mercado de IA em Portugal é como um restaurante recém-inaugurado que ficou famoso: há mais clientes (empresas com necessidades de IA) do que cozinheiros (profissionais qualificados). Quem tem as competências certas está numa posição privilegiada para negociar. Vamos ver que "cargos" existem e quanto pagam:
Data Scientist (O "Chef de Cozinha"): 35.000€ - 65.000€/ano. É quem analisa dados e extrai conclusões úteis para o negócio. Precisa de saber Python, SQL, estatística e Machine Learning. Mas a competência mais valorizada (e mais rara) é a capacidade de comunicar resultados a pessoas não-técnicas. De nada serve descobrir um padrão nos dados se não consegues explicar ao diretor porque é que isso importa.
ML Engineer (O "Sous-Chef"): 40.000€ - 75.000€/ano. Se o Data Scientist cria o modelo, o ML Engineer é quem o coloca "em produção" - a funcionar no mundo real, a servir milhares de utilizadores. Precisa de Python, Docker, Kubernetes, cloud (AWS/GCP/Azure) e experiência com MLOps (as práticas para manter modelos de ML a funcionar bem ao longo do tempo).
AI/ML Researcher (O "Cientista na Cozinha"): 45.000€ - 80.000€/ano. Inventa novas receitas em vez de seguir as existentes. Requer formação académica avançada (PhD ou experiência equivalente), publicações científicas e domínio profundo de deep learning. É o cargo mais exigente mas também o mais bem pago.
Prompt Engineer / AI Solutions Architect: 30.000€ - 55.000€/ano. Esta é a profissão mais nova e acessível do mercado. Não precisas de saber programar a fundo - precisas de saber comunicar eficazmente com modelos de IA e desenhá-los para resolver problemas empresariais. É um excelente ponto de entrada para quem vem de áreas não-técnicas.
Data Engineer (O "Fornecedor de Ingredientes"): 35.000€ - 60.000€/ano. Garante que os dados chegam limpos e organizados aos Data Scientists. Sem bons dados, não há bons modelos. Precisa de Python, SQL, Spark, Airflow e experiência com pipelines de dados em cloud.
Nota: Estes valores referem-se a posições em Portugal. Para trabalho remoto com empresas estrangeiras, os salários podem ser 40-80% superiores. Muitas empresas tech internacionais oferecem posições remote-first com salários ajustados ao mercado europeu.
Para quem está a aprender programação, aqui está um exemplo prático do tipo de análise que um Data Scientist faz no dia a dia. Não te preocupes se não entenderes todo o código - o objetivo é mostrares que com poucas linhas de Python consegues extrair informações valiosas de dados. É como ter uma calculadora avançada que, em vez de somar números, analisa tendências de um mercado inteiro.
import pandas as pd
import numpy as np
# Dados do mercado de trabalho em IA em Portugal (2026)
mercado = pd.DataFrame({
'funcao': ['Data Scientist', 'ML Engineer', 'AI Researcher',
'Prompt Engineer', 'Data Engineer', 'MLOps Engineer'],
'salario_min': [35000, 40000, 45000, 30000, 35000, 42000],
'salario_max': [65000, 75000, 80000, 55000, 60000, 70000],
'vagas_mensais': [120, 85, 35, 95, 150, 60],
'crescimento_anual': [25, 35, 15, 55, 20, 45],
'experiencia_min': [2, 3, 5, 1, 2, 3]
})
# Calcular salário médio e score de oportunidade
mercado['salario_medio'] = (mercado['salario_min'] + mercado['salario_max']) / 2
mercado['score'] = (
mercado['vagas_mensais'] * 0.3 +
mercado['crescimento_anual'] * 0.4 +
mercado['salario_medio'] / 1000 * 0.3
)
print("=== Mercado de IA em Portugal 2026 ===\n")
print(mercado[['funcao', 'salario_medio', 'vagas_mensais', 'crescimento_anual']]
.sort_values('score', ascending=False)
.to_string(index=False))
print(f"\nTotal de vagas mensais: {mercado['vagas_mensais'].sum()}")
print(f"Salário médio do setor: {mercado['salario_medio'].mean():,.0f}€")
print(f"\nFunção com maior crescimento: {mercado.loc[mercado['crescimento_anual'].idxmax(), 'funcao']}")
print(f"Função com mais vagas: {mercado.loc[mercado['vagas_mensais'].idxmax(), 'funcao']}")Mudar de carreira para IA é como aprender uma nova língua. Parece impossível no início, mas milhares de pessoas fazem-no todos os anos com sucesso. A chave é ter um roteiro claro e seguir cada etapa sem saltar passos. Aqui estão os três caminhos mais comuns:
Se vens de programação (caminho mais rápido - 3-6 meses): Já tens a base mais importante. É como já saberes espanhol e quereres aprender português - há muitas semelhanças. Foca-te em aprender Python para ML (NumPy, Pandas, Scikit-learn), depois avança para Deep Learning. Muitos programadores conseguem transitar para posições júnior em Data Science em 3-6 meses.
Se vens de áreas STEM (engenharia, matemática, física - 4-8 meses): Tens uma vantagem enorme: já sabes pensar analiticamente e provavelmente tens bases de estatística. Precisas de aprender Python (se ainda não sabes) e depois mergulhar nas bibliotecas de ML. A tua formação científica dá-te uma compreensão mais profunda dos algoritmos.
Se vens de outra área (marketing, gestão, saúde - 6-12 meses): O percurso é mais longo mas perfeitamente viável. Começa por fundamentos de programação em Python (há excelentes cursos online gratuitos), depois estatística básica e só então ML. O teu conhecimento de domínio é uma vantagem competitiva enorme: uma pessoa de marketing que sabe ML é mais valiosa do que um programador que não sabe nada de marketing.
Dica de entrevista: As empresas portuguesas valorizam muito projetos práticos no GitHub. Ter 2-3 projetos completos de ML vale mais do que qualquer certificação ou diploma. Participa em competições Kaggle (uma plataforma onde resolves problemas reais de ML) e contribui para projetos open source. Mostra que sabes fazer, não apenas que sabes a teoria.
# Exemplo de desafio técnico comum em entrevistas de ML
def prever_churn(dados_cliente: dict) -> dict:
"""
Desafio: Dado um dicionário com dados de um cliente,
prever a probabilidade de churn (cancelamento).
Implementação simplificada para demonstrar raciocínio.
"""
score = 0.5 # Base
# Fatores de risco
if dados_cliente.get('meses_desde_ultima_compra', 0) > 6:
score += 0.15
if dados_cliente.get('reclamacoes_ultimo_ano', 0) > 2:
score += 0.2
if dados_cliente.get('satisfacao', 5) < 3:
score += 0.25
# Fatores de retenção
if dados_cliente.get('anos_cliente', 0) > 3:
score -= 0.15
if dados_cliente.get('programa_fidelidade', False):
score -= 0.1
if dados_cliente.get('compras_ultimo_trimestre', 0) > 5:
score -= 0.2
score = max(0, min(1, score)) # Limitar entre 0 e 1
return {
'probabilidade_churn': round(score, 2),
'risco': 'Alto' if score > 0.7 else 'Médio' if score > 0.4 else 'Baixo',
'acao_recomendada': (
'Contacto urgente' if score > 0.7 else
'Oferta de retenção' if score > 0.4 else
'Manutenção regular'
)
}
# Teste
cliente = {
'meses_desde_ultima_compra': 8,
'reclamacoes_ultimo_ano': 3,
'satisfacao': 2,
'anos_cliente': 1,
'programa_fidelidade': False,
'compras_ultimo_trimestre': 1
}
print(prever_churn(cliente))"Portugal tem uma oportunidade única de se posicionar como líder europeu em IA. Temos talento, temos infraestrutura e temos a vontade política. O que precisamos é de mais profissionais qualificados."
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